Reflexões Femininas

Dia Internacional da Síndrome de Down – Por Símia Zen.

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Crianças-com-Síndrome de DownSenhores,

Venho nesta carta festejar com os senhores a ótima noticia que é a partir deste ano o estabelecimento no calendário oficial da Organização das Nações Unidas O Dia Internacional da Síndrome de Down, dia 21 de março. Possivelmente assim haverá mais incentivos às políticas e práticas em benefício do bem estar dos portadores da síndrome de Down, tanto nas instituições competentes, públicas e privadas, dos países que compõe a ONU, quanto mais ações beneficentes espontâneas da sociedade em geral. Que bacana!

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Bom… Os senhores devem estar se perguntando o que o site RM tem a ver com isso, e devo explicar que tem nada e tudo, pois, se considerarmos que a probabilidade de crianças nascidas portarem a síndrome de Down é em média de uma a cada oitocentas e que essa probabilidade de concepção de bebês com Down é bastante superior nas etnias europeias, depois nas asiáticas, e em menor incidência nas etnias africanas, o Brasil por ter a maioria da população miscigenada pode ser como pode não ser um grande índice de incidência da síndrome, dependendo do comportamento da hereditariedade da mulher. A probabilidade aumenta em mulheres acima de quarenta anos, e mais ainda em mulheres com corpos arrasados pelo uso de drogas e sequelas de DSTs, pois estas ficam com o organismo muito fraco para formar bem um feto nos seus ventres, e é habitual na modernidade é as pessoas adiarem o compromisso familiar até alta idade… E mesmo sem nenhuma situação favorável também ocorrem nascimentos de crianças com Down, então: há alguma probabilidade, assim como foi com o jogador de futebol Romário, que muitos homens que talvez leiam este site virem a ser pais de crianças com Down, ou tios, avôs, primos, amigos de pais de crianças com síndrome de Down, vizinhos ou colegas de escola de seus filhos. Por isso, creio que talvez possa ser algo útil aos senhores e a todas as pessoas normais em geral que se reflita sobre a qualidade de vida dos portadores da síndrome de Down.
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A Síndrome de Down é um distúrbio genético que ocorre na feitura do feto e foi descrita pelo médico inglês John Haydon Down em 1866, ocorre por consequência de uma anormalidade na constituição cromossômica, também conhecida como “trissomia 21”. A grosso modo, a síndrome ocorre na gestação porque um cromossoma “extra”, para normalidade humana se acrescenta ao par dos cromossomas de nº 21. A trissomia 21 normalmente causa uma malformação congênita no coração e/ou nos rins, língua espessa e um pouco maior que o normal, pés e mãos em dimensão menor que o normal, orelhas um pouco mais baixas e menores que o normal, olhos oblíquos e rosto arredondados, semelhantes ao formato dos olhos dos orientais, por isso o termo “mongolismo” é usual no senso comum, e retardamento mental severo ou moderado, dependendo do comprometimento da deficiência intelectual na conformação cerebral dos portadores dessa anomalia cromossômica.
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Senhores, existem coisas nesse mundo que me deixam intrigada, uma delas é a incrível maravilha que ocorre com a maioria das crianças portadoras da síndrome de Down dependendo de como são tratadas do ambiente em que vivem, nas crianças com Down que não são maltratadas a mais surpreendente é a mega ternura que expressam através do olhar e sorriso. É muito comum portadores de síndrome de Down serem muito carinhosos, sobretudo as crianças e adolescentes, e amam muiiito ser acarinhados também, retribuem um abraço com outro abraço prontamente e nunca menos farto de aconchego sincero, é incrível como são tão impermeáveis às maldades do mundo e a construção social… rsrs
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É linda demais a afetividade das crianças portadoras de Síndrome de Down, elas expressam ternura tanto a gente quanto a bicho, nada abala essa belíssima virtude delas, o abraço é o mesmo a gente boa ou gente má, a gente rica ou mendiga, branca ou preta, verde, azul, rosa, arco-íris, pitadinha de sardas ou malhadinha vitiligo, criança, idoso, hippie, filatelista, iogue, assassino, emo, artista, coveiro, dona de casa e heavy metal, todos são gente passível de carinho para os portadores de Down e todos ganham o mesmo abração apertadão com olhar alegre, terno e confiante, não há crivo de censura em seus delicados corações anormais, por isso também se magoam muito fácil e ainda assim o cinismo, a arrogância e a maledicência não são normais num humano com Down. É… Parece que com a “trissomia 21” os que perdem em deficiência intelectual ganham em eficiência afetiva…
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Creio que não há o que se espantar quando vemos pessoas com Down felicíssimas da vida, e por isso se desenvolvendo sensível e cognitivamente bem melhor por estarem entre os demais seres humanos em todas as atividades cotidianas onde tem gente, tais como: escolas, locais de trabalho, locais de culto religioso e/ou artístico cultural, festas, campeonatos esportivos, etc. Isso me parece normal e muito bom também. O problema é que por conta da falta de informação sobre os humanos portadores da síndrome de Down, muita gente normal não convive bem com eles, acho que pensam que a síndrome de Down é contagiosa ou que faz as pessoas serem imprevisíveis e aí ficam com medo deles, e também porque alguns de nós não têm boa capacidade de tolerância as diferenças que eles apresentam na aparência, na fala, no pensamento mais lento e em alguns comportamentos. Isso é péssimo para eles, pois sofrem e menos desenvolvem raciocínio quando ficam isolados da vida humana comum que veem pela TV, mas não conviver com eles é uma perda muito maior para nós, os sem déficit cognitivo, mas deficientes em amorosidade…
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Presos aos nossos umbigos, perdemos uma valiosa oportunidade em aprender a conviver para além dos nossos próprios referenciais de normalidade, já um tanto desgastados… Perdemos muito em não conhecer e conviver com gente diferente de nós. Pois perdemos as surpreendentes alegrias em ser com amplitude perceptiva e numa dimensão amorosa e não apenas num ter mecânico de ser-coisa. São nessas chances que despertamos inúmeras capacidades humanas sensíveis e cognitivas que jazem adormecidas em nós, já que no desafio da compreensão ao diferente além de exercitarmos nossa racionalidade, também temos a chance de desenvolvimento de nossa inteligência emocional…
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Enfim, o contato com deficientes em cognição nos impele a sermos eficientes em inteligência operante na comunicação de fato. Sem contar o Bem que nos faz os abraços sinceros de ternura que ganhamos apenas porque existimos, abraços que usualmente entre nós, os normais, nem damos e nem recebemos sem interesses mesquinhos, pois em nossa anormalidade normal é mais fácil vermos uma pessoa normal estraçalhando física e/ou verbalmente a outra por besteiras do que sorrindo num cumprimento cordial pelo menos.
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Senhores, há quem pense que os portadores de Down morrem ainda crianças, não aprendem linguagens nem os códigos e da cultura em geral, que são incapazes de viverem felizes e produtivos entre nós, mas isso não é verdade. Dependendo do tanto de comprometimento provocado pela trissomia 21, com os devidos cuidados, motivação e acolhimento os portadores da síndrome de Down podem ter razoável longevidade, aprenderem tanto a linguagem verbal falada e escrita como as linguagens não verbais e podem fazer muitos trabalhos comuns e artísticos sem grandes problemas. Há casos até que excedem em êxito a muitos normais, sobretudo os preguiçosos. Vide os exemplos do esforçadíssimo e talentoso ator espanhol Pablo Pineda, 35 anos, formado em Direito, que levou o prêmio “Concha de Prata” como melhor ator no Festival de Cinema de San Sebastián, filme “City of Life and Death”, Concha de Ouro, de Lu Chuan, antes ele já tinha sido protagonista no filme “Yo, También”. Claro que este ator é uma das tantas exceções em êxito na inserção social, mas provam que é possível com bons cuidados e incentivos as pessoas com síndrome de Down não muito severa chegarem a idade adulta saudáveis e produtivos. Fora o Pablo Pineda, há inúmeros casos de Down onde tudo dá certo e a felicidade é fato na vida deles e, por efeito, dos que convivem com eles.
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Tomara que com o “Dia Internacional da Síndrome de Down”  mais informação e investimentos sejam incentivados para melhoria da qualidade de vida dos portadores da síndrome em suas particularidades coletivas e individuais. Com tais benefícios certamente seria ainda mais comum a inserção social dos deficientes intelectuais na convivência comum, e sem os estigmas severos que os infantilizam e assim os limitam ainda mais a progredirem cognitivamente. Acho que a partir disso poderia haver uma melhor tolerância entre normais e portadores da síndrome de Down, e até mais possibilidades no futuro para um dissipar de estranhezas desnecessárias numa saudável convivência social regada  com alegres risadas mutua da parte engraçada que existe em todas as pessoas, independente das diferenças de constituições cromossômicas. Tudo na boa, tudo numa cordial felicidade… Que bacana…
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 Bom… Saudações Festivas e Boa Sorte a todos!
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 Símia Zen.
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Posted 23rd March by Shâmtia Ayômide
Labels: Simia Zen Política e Filosofia
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Fonte: Texto originalmente publicado no site Reflexões Masculinas – Revista Online sobre o Homem e a Masculinidade  – http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2012/03/cartas-aos-homens-dia-internacional-da.html
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Written by Símia Zen

18/04/2013 at 14:23

A beleza da amizade masculina – Por Símia Zen.

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roman soldiers - Senhores,
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Venho em pixels falar sobre vosso Amor. Sobre um tipo de amor quase exclusivo no coração dos homens, mas que não é exatamente sobre o amor sexual entre homens e mulheres, nem do paternal ou filial, também não se trata de homossexualismo. O enfoque é a respeito de um tipo de amor fraternal que os homens são muito propensos de desenvolver em si isentos de quaisquer interesses mesquinhos ou sexuais, este amor se chama AMIZADE.
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Em minha contemplação do ser masculino, percebo que são afortunados de um sentimento solar que é um muito puro e lindo. Um amor virtuoso, desapaixonado, com bases altruísticas, que inclui a lealdade e requer virtude, sapiência… Transcende ao sexo e promove a vontade salutar da mútua cooperação. Sinto que este sentimento nobre estabelece a união e solidariedade entre os homens, se manifesta no prazer em fazer parte em torno de um propósito comum. A amizade é o amor que mantém vossa coesão.
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Desde os primórdios, os homens cultivam a amizade, antes, talvez, tenha sido motivada pela premente ânsia de sobrevivência num mundo ainda inóspito para o bicho humano, e que por obra dessa inteligente cultura de cooperação masculina, o mundo se tornou possível à sobrevivência da espécie. Unidos pela necessidade, inventaram um sem numero de soluções para a vida e assim colocaram a raça humana no topo da cadeia alimentar. Naturalmente os grupos mais unidos levaram vantagens na competição por água, comida e território auspicioso em termos climáticos e eu acredito que os grupos vitoriosos não foram exatamente os mais numerosos em componentes, mas sim, os mais coesos, porque é na união que se somam a perseverança e talentos humanos para um determinado fim e isso se traduz em Força, ou melhor: em Poder. O grupo mais fraco é sempre o menos unido.
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Considerando que levou muiiiiiiito tempo de nossa existência na Terra, muitas e muitas gerações para a vida humana se sobrepor aos predadores e intempéries como está hoje, o conforto atual é vivenciado apenas por gerações recentes de acordo com nossos possíveis mais de 100 mil anos de idade. Acredito que a amizade entre os homens é um dos sentimentos mais antigos estabelecidos no coração humano e que não se desenvolveu apenas por razões funcionais de sobrevivência, mas também por que no exercício do lidar com o mundo, os homens juntos, no decorrer desta convivência cheia de desafios, perigos, tensões e sofrimentos foram aos poucos se reconhecendo como pares. Não estou falando de pares no sentido da natureza sexual, pois, obviamente esta se faz pela complementaridade de seres que possam juntos perpetuar a espécie (óvulos+espermatozóides), mas de pares num sentido mais subjetivo, de identidade de talentos e aspirações, de capacidades físicas e intelectuais, com ao mesmo tempo instintos para a proteção da vida e para a destruição da mesma, de competição e de colaboração… Assim os “espelhos” se enxergaram em virtudes e possibilidades [1], fragilidades e limites, e como extensão uns dos outros sentiram compaixão e conforto solidário entre si, nesta evolução do relacionamento humano, se formou a amizade e nela a ética e boa vontade entre homens de um mesmo grupo. Tenho pra mim que foi esta evolução/sofisticação de sentimentos que os inspirou a expressarem sua humanidade em ações físicas e intelectuais conjuntas num puro espírito político-social, tais como guerras, criação de legislações, arte, filosofia, ciências, religiões, esportes, linguagens, tecnologias diversas, etc. Esta forma práxis, criadora, realizadora de viver a amizade não é de surpreender já que vocês por força da natureza são seres da testosterona/Yang, com vocação à ação física e mental.
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Nos dias atuais, existem muitas associações masculinas antiqüíssimas que permanecem firmes justamente por essa união fraterna que se constitui pela amizade entre os homens [2], mas infelizmente o estilo de vida moderno nefasto vem minando este belíssimo sentimento. Os amigos que resistem juntos a correria coisificante da vida moderna unissex ou a revelia de mães, namoradas, esposas ciumentas e outras que ignoram esse tipo nobre de amor, ou que o invejam, muitas vezes eles são injuriados com especulações maldosas, e quando os homens resolvem fazer um grupo, seja para o que for, são taxados de “Clube do Bolinha”, como se tivessem transgredindo uma ordem velada para convivência mista entre sexos “full time” e só sobre assuntos “unisex” também. Claro que homens e mulheres podem conviver cotidianamente em todas as instancias da vida focados nas questões de ambos os sexos, mas haverá algum momento onde os homens precisarão estar juntos em atividades inerentes as questões do universo masculino, até para manter seus elos de amizade, elos estes que também são elos com sua tradição ancestral e sua natureza.
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Como podemos ter homens felizes e saudáveis, seguros e cônscios de sua masculinidade e responsabilidades inerentes se a cultura vigente prioriza as questões femininas em detrimento das masculinas? E numa moda torpe de mantê-los semi apartados uns dos outros em compartimentos da vida unissex que está se tornando cada vez mais comum no mundo moderno?
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Creio que há um grande preconceito em relação à amizade entre os homens, algo como um certo temor anacrônico que se unam e se fortaleçam entre si como “machões”, como se homem machão fosse ruim! Mas que tolice isso! Pois desde as cavernas que a amizade que uniu e desenvolveu os homens como “machões” beneficiou muito a humanidade, não foi a macheza dos homens o motivo de dissabores nefastos na relação entre os sexos de alguns grupos no passado, ou ainda no presente, como a violência domestica e/ou de estupro, por exemplo, estes males são causados pelas misérias da ignorância [3], fraqueza e patologias independentes do nível de “macheza” (virilidade) nos homens, para o bem da verdade devemos reconhecer que se não fosse essa “macheza” conjunta toda a humanidade, também as fêmeas, já estaria extinta há muito tempo.
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A amizade entre os homens é linda! A concórdia e a fraternidade são análogas à ela, e esta atravessa barreiras de tempo e espaço, biológicas e culturais, étnicas, de credos religiosos, de ideologias políticas, de rivalidades de times de futebol e tudo mais que possa separar as pessoas. Quando estimamos o outro menos que a nós mesmos é afeto, o que é muito bom, quando estimamos o outro mais que a nós mesmos é devoção, é Ágape, mas quando estimamos o outro igual a nós mesmos é amizade, e isso é o básico fundamental para vivermos em “sieme”.
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O amor Philos ou Philia, a Amizade, tem valor em si mesmo e não precisa de pagamento. O sentir desse amor basta para nos enriquecer a existência, sendo a forma mais proveitosa de desfrutar da companhia dos outros seres humanos no cotidiano. Buscar e desenvolver em si a capacidade de ser amigo e oferecer tal bem ao próximo é por si gratificante. Buscar e aceitar a amizade do outro é mais que gratificante… É edificante de si e do próximo como ser humano de fato, é proporcionar-lhe a oportunidade de se exercer como um ser amoroso e solidário na vida. Essa troca humaniza o bicho homem, realiza e evolui o espírito humano.
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O amigo é quem nos escolheu e escolhemos para confiar, feliz de quem tem e é amigo neste mundão cheio de imprevistos e invernos…
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Bom… Desejando aos senhores muita prosperidade em vossos elos de amizade, subscrevo-me,
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Amistosamente,
Símia Zen.
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Posted 15th September 2010 by Shâmtia Ayômide
Labels: Masculinidade Simia Zen
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Textos complementares:
[1]http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2010/03/homens-como-surgimos-parte-ii.html
[2]http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2010/02/alfas-hierarquia-masculina-e-forma.html
[3]http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2009/12/anotacoes-sobre-o-que-e-o-mal.html
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Fonte: Texto originalmente publicado no site Reflexões Masculinas – Revista Online sobre o Homem e a Masculinidade – http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2010/09/beleza-da-amizade-masculina.html
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Written by Símia Zen

18/04/2013 at 14:12

A beleza masculina – Por Símia Zen.

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Homem VitruvianoA definição da beleza física masculina tem bases em valores culturais construídos e destruídos de geração a geração, bem como próprio conceito de masculino, mas há algo universal e transcendente a qualquer conceito regional na beleza física do ser humano macho e fêmea, que é a simetria e proporcionalidade entre as partes do corpo conjugadas com vitalidade.
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Nossos corpos, em todas as etnias da vasta fauna humana quando não estão formatados nesta regra natural da simetria e proporcionalidade, a principio, não são expressões do protótipo universal da natureza, no entanto, o mundo material esta sempre em mutação, e nisso um sem numero de variantes naturais vão ocorrendo por conta do resultado casual dos enlaces de genes entre nossos ancestrais, porque a natureza é dinâmica em seu macro ritmo e com mais a interferência da ação humana, vai se transformando continuamente, criando e recriando o universo de formas do qual nossos corpos fazem parte[2]. Em tempos passados, tivemos outras características formais e com certeza, em tempos futuros provavelmente maturemos à outras, pois as formas de nossos corpos vão se modificando para se adaptar de acordo com a solicitação do meio ambiente, mas esse é um processo de evolução muito lento, quase imperceptível em curtos espaços de tempo aos nossos olhos “nus’, portanto, o que vigora em termos formais é ainda a simetria e proporcionalidade que conhecemos, e é neste modelo que sentimos como corpos Belos no geral.
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Mesmo o conceito de beleza mudando de acordo com o contexto histórico e geográfico dos povos e nos gostos individuais também, então, não há um só conceito e sim múltiplos conceitos que podem ser antagônicos ou complementares. Eu acredito que possamos considerar a beleza do ser humano de muitas maneiras, pelo olhar estético (sua forma física) e pelo poético (em sua essência e virtudes), e com esses olhares fundidos, se pode enxergar o todo de nossa beleza humana, mas para isso se tem que ter um olhar livre, descomprometido com padrões temporais de beleza, pois estes podem nos levam a modismos que nos privariam a percebe-la no outro e em nós mesmos. Considerando isso, me entrego a desvendar o puro masculino, sobre o que seria sua beleza no meu sentir e as questões em que ela pode estar interligada na atualidade.
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Senhores, nas minhas idas e vindas de casa, sinto o vasto mundo de formas e cores do caminho, nisso me comovo tanto com a beleza quanto com a fealdade que entram pelos meus olhos de bicho sensível-pensante. Em toda essa variedade, as formas dos masculinos são imãs para meus olhos, me posiciono imperceptível e assisto suas belezas múltiplas como assisto o Sol nascente e poente, me deixo enlevar numa contemplação silenciosa com os meus botões. Cheguei a conclusão de que os homens são belos[3], a menos que estejam com deformações que os impeçam de desempenhar a vida de maneira plena, ou que, por desventura, estejam enfermos. Todos vocês são belos. Todos são magníficos na vasta fauna humana, todos lindos. Todos. De todas as cores, minuciosamente bem feitos na arte pura e exuberante da natureza. Vocês são lindos como o Sol.
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A natureza formou os corpos machos com um capricho incrível, são mais enfeitados do que os das fêmeas. Os pássaros são lindos demais com suas plumagens extravagantes e as vezes hiper coloridas, como a do pavão, ô bicho lindo! Os mamíferos com pelagem em paletas lindas e chifres estupendos; os peixes também são belos, até o Gupi tem uma calda show! Nos homens, as características naturais são igualmente exuberantes como, por exemplo, o Pomo de Adão, que além da função biológica, é uma verdadeira joia no pescoço. Ver um homem falando, comendo, bebendo, cantando, e o Pomo de Adão lá… Movendo-se pra cima e pra baixo, é bom demais… E perturbador também. Acho que vocês nem ligam para esse adorno natural, nem para seus pelos, não notam a beleza da pelagem em seus rostos e corpos, que pena… A fauna humana é muito rica, tem homem lindo de tudo quanto é tipo, e de virtudes morais e espirituais também.
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Senhores, o fator cultural interfere na visão do belo, pois a cultura sempre abrange determinantes além do natural comprometidos com alguma ideologia vigente, e como ninguém é impermeável às influencias culturais do grupo em que está inserido, assimila seu senso comum inclusive no plano estético. Em muitas regiões do país, infelizmente ainda há uma crença de que o homem não seria belo dentro de suas características físicas naturais, é comum ouvirmos a frase absurda que define a mulher como sendo “O belo sexo”, quando na verdade tanto a mulher quanto o homem poderiam ser definidos assim, até porque, os machos têm os corpos mais enfeitados. Essa distorção invade o inconsciente coletivo dos homens, atrapalhando-os de verem suas características especificas masculinas como belas também. Uma lástima.
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Uma das causas da crença que o homem não seria um belo sexo ocorre porque, desde pequeninos, os homens são educados a não se apreciarem esteticamente em suas características corpóreas mesmo que seja apenas no seu próprio corpo, e sim, induzidos a “venerar” as formas femininas sobretudo numa visão do corpo feminino como objeto sexual, e pior: valorar como superior e inferior a mulher dentro desta visão coisificadora nefasta. Outra é que os machos humanos tem vocação natural a sentir a beleza como principal critério para selecionar fêmeas para o amor e sexo, e, naturalmente, valorizam demais as características especificamente femininas por isso. Então, pelos seus próprios referenciais de seleção, acabam por achar que não seriam belos por ter características físicas tão diferentes das dos seres que “idolatram” como belos. O efeito dessa crença é catastrófico, pois o homem inconscientemente tende a achar-se feio diante da mulher, acaba por tabela se sentindo inferior as mulheres que ele avalia como belas, e assim, ele passa a acreditar que não é tão selecionável ou amável por ter corpo diferente do que ele vê como o bonito, tomando desta maneira seu próprio gosto e referencial de escolha como único absoluto, mas isso não é verdade. Por outro lado, nós fêmeas temos gostos diversos e vemos as características dos machos como belas. Bom… Nem todas, existem muitas mulheres que estão impregnadas de modismos misândricos, daí não podem perceber a beleza das características corporais naturais dos machos.
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Enfim se chega aos casos dos homens subservientes às amigas, ficantes, namoradas e esposas, por se verem como um ogro diante de uma fada ou de um sapo diante da princesinha. Aí danou-se! Neste complexo de inferioridade, reuni-se os ingredientes certos para ele achar que a mulher lhe faz um favor em lhe corresponder atenção e afeto, fazendo com que se sinta grato ou em dívida para com ela, então fica internamente compelido a lhe retribuir ou a pagar por tal favor, daí em diante “é água morro abaixo”, isto é: Ele se permitirá a ser explorado, servirá como burro de carga e coisa de fazer dinheiro numa submissão voluntária para se sentir retribuindo a altura tais favores e achando que com isso poderá manter a mulher ao seu lado, ou seja: pagando por amar.
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Senhores, a verdade é que a natureza formou corpos humanos na versão feminina e masculina para complementarem-se e assim realizar a deliciosa missão de replicação da espécie humana, e em suas funcionalidades naturais, mulheres e principalmente os homens são belos por natureza, daí não há muito mais a problematizar. O que todos nós podemos e devemos fazer é cuidar de nossa higiene, saúde e beleza natural externa e interna, primeiramente para nós mesmos, exercendo a responsabilidade e o amor para conosco generosamente, e depois como expressão de afeto e consideração para os com outros. Só isso. De resto, tudo é efêmero, é só uma bela de uma “construção social”nefasta (coisificadora do ser humano), não há porque levar muito a sério.
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Bom… Depois de tanta “escrivinhação”, me despeço dos senhores, desejando que se olhem no espelho com olhos livres e percebam o quanto são belas suas características masculinas, e que se aceitem como seres belos também. As belezas são diferentes, mas equivalentes, ou seja: em termos estéticos entre homens e mulheres, ninguém deve nada a ninguém. O importante é que vocês se permitam brilhar como o Sol.
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Saudações respeitosas,
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Símia Zen.
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Notas do editor:
[2] Desmond Norris nos livros O Macaco Nu e A Mulher Nua, respectivamente, realizou várias descrições anatômicas detalhadas do corpo humano.
[3] A respeito desse assunto recomendo que também leiam Esther Vilar em O Homem Domado.
Posted 13th July 2010 by Shâmtia Ayômide
Labels: Masculinidade Simia Zen
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Fonte: Texto originalmente publicado no site Reflexões Masculinas – Revista Online sobre o Homem e a Masculinidade  http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2010/07/beleza-masculina.html
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Written by Símia Zen

18/04/2013 at 14:05

Sobre a impotência peniana – Por Símia Zen.

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sb10062927r-001Senhores,
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Há muito vejo que os homens reclamam muito sobre a qualidade dos relacionamentos amorosos e do sexo na atualidade, e devo acrescentar que nestes tempos “líquidos” isso não é de surpreender, pois a inconsistência das relações humanas sem todas as esferas da vida é comum. A ideia de amor entre os opostos está por demais desgastada e sem muitas possibilidades de regeneração a menos que haja na pratica uma revisão dos valores que permeiam nossa cultura consumista reforçadíssimos pela publicidade e folhetins comerciais do cinema e da televisão. Mas claro que para se revisar algo, é preciso antes ter consciência das reais necessidades de reformulação e isso só através de uma reflexão profunda dos prós e contras de tal coisa, considerando suas causas e efeitos no contexto geral da vida social, familiar e amorosa. Realmente não sei se as pessoas que compõem nossa sociedade estão em condições de tal revisão ou apenas vão indefinidamente cristalizar os valores consumistas nas mentes das crianças mecanizando-as a seguir modismos e estrangeirismos vãos. Mas seja como for, me vale a amorosidade de escrever-lhes este texto.
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Os senhores devem estar intrigados com o que esse preâmbulo tem a ver com a impotência peniana. O que é compreensível já que em nossa cultura o ser é compartimentado e, assim, o corpo é entendido como algo esquartejado em seu funcionamento e demandas, mas a verdade é que o ser e o corpo estão uno até a morte os separar. Enquanto estamos vivos biologicamente, o ser corpo/espírito é indivisível, portanto a única forma de vermo-nos plenos, saudáveis de corpo e alma, é integralmente. Agora sim já devem ter percebido aonde quero chegar.
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Bom… No cotidiano notei que mulheres jovens e maduras, bonitas e nem tanto, se lamuriam quanto ao pênis dos homens que elas têm contato sexual fora ou dentro do casamento. Reclamam não exatamente sobre o tamanho de pênis, como é a suposição equivocada dos homens, como se quantidade de pênis fosse a coisa mais importante para mulher do que qualidade do encontro carnal. As reclamações são sobre a flacidez peniana. Embora eu ache isso um pouco de exagero, devo compreender que para um casal harmônico e criativo isso não seria problema, mas em relações sem base amorosa que valha, realmente deve ser uma coisa meio complicada.
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Refletindo sobre a impotência peniana, penso que pode ser propiciada por inúmeros motivos, tais como: desgastes físicos e energéticos por motivo de idade avançada, tendência genética, enfermidades diversas refletidas na potencia sexual, efeitos danosos da poluição do ar e da água principalmente, ansiedade e estresse próprios do estilo de vida urbana e consumista, mas principalmente por causa de insatisfação no amor sexual, pois um homem descontente em seus sentimentos e desejos afetivo-sexuais corre o risco de entrar em desequilíbrio psíquico emocional e por efeito ter a circulação de seu sangue descompassada e daí o pênis falho no ato sexual, pois mesmo que os instintos sexuais masculinos sejam muito fortes, ainda assim a mente, o afeto, os anseios, os temores, o desejo, as frustrações, os sonhos, a esperança e a razão estão intimamente interligados no ser humano, no homem também. Por isso, creio que em casos de impotência peniana não vale dar crédito a tratamentos frios, violentos e intoxicantes sem antes buscar mais fundo na alma a harmonia integral.
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Claro que num tempo onde sonhar é luxo, e quem ousar raciocinar sobre a qualidade de vida amorosa sexual se não for feito de resiliência se deprime ou se apatiza, não poderia mesmo ser um bom tempo para os pênis celebrarem a Vida dentro de vaginas. Vaginas que, por sua vez, também estão mórbidas, pois mulheres amorosamente petrificadas em alta rotatividade no sexo casual perdem além da ternura d’alma o vigor em suas vaginas e não muito raro ficam cínicas e sarcásticas ante o amor, talvez isso também influa na impotência peniana, e com certeza o desleixo estético por parte de algumas destas mulheres descontentes com suas vidas contribui muito para a flacidez peniana dos homens muito susceptíveis ao visual no coito, não me surpreende estes tristes comportamentos femininos nas que estão numa dinâmica sexual onde serão descartadas após consumidas, pois relações sem futuro, nem presente, nem passado, sem historia, é normal esse tipo de morbidez e feiúra.
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Fora a falta de consistência amorosa-sensual e o desestimulo por falta de zelo estético e frieza afetiva das mulheres rotativas, há também os pérfidos alimentos “lixão” que são consumidos em escala alarmante todos os dias na correria desesperada das vidas masculinas. A natureza não deixaria essa imprudência impune… E não é raro na fofoca feminina corriqueira a informação de que há homens ainda em boa idade para o amor estarem com suas veias e artérias entupidas por gorduras cutres colecionadas nos fast-foods de cada dia, e claro, com seus falos falhos, flácidos, inertes moribundos sobre seus testículos…
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É sabido que a natureza masculina é mais propensa aos desgastes no coração, no sistema circulatório também, é da natureza do homem a fartura de apetite sexual com a imensa produção de testosterona e libido e adrenalina, sobretudo os gastadores por efeito de preocupações com as dívidas a pagar, obviamente quando estão insatisfeitos, o estado de mal ânimo se refletirá no corpo e o pênis não fica isento disso. O homem que não pode erguer e reger vigorosamente seu pênis no leito ficará ainda mais estressado e assim ainda menos poderá contar com seu pênis para o amor e se desestressar neste ato naturalmente benéfico à saúde do homem, pois um homem satisfeito no leito fica com mais fôlego para enfrentar os desafios e lutas da vida masculina e um homem insatisfeito tende a ter menos energia nas batalhas da vida e, por efeito dominó, logo estará muito deprimido. Lembrando: Medicamentos para depressão diminuem a capacidade viril do pênis.
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Devido ao exposto acima é que se faz necessário ao bem da qualidade de vida masculina integral, que os homens cuidem bem de seus corações, digo o símbolo do amor e o músculo que bombeia o sangue no corpo, em nada lhes fará mal que rejeitem as relações amorosas torpes e consumistas com nefastas e também rejeitem se alimentar com alimentos nocivos a saúde na lida diária. O mais lógico seria se as mesmas mulheres que dedicam seus quereres amorosos e sexuais fossem além de suas próprias mães as cuidadoras de seus corações e estômagos, claro que nefastas não teriam essa boa vontade, mas acredito haverá moças de bom trato humano “vocacionadas” ao cuidar amoroso, além do sexo para alcançarem junto com tais femininas a necessária felicidade amorosa sexual e assim não correrem o risco de serem assombrados por infartos, nem impotência peniana e nem pela depressão, obviamente esse bem custa uma revisão de seus valores, ou seja: buscarem nas mulheres o melhor da natureza feminina ao invés de se apaixonarem no sexo pelo sexo por seres vistosos nos fetiches sexuais, mas degradados esquizoides viciados a costumes que aniquilam o instinto de fêmea mais bacana do existir feminino que é o instinto uterino do cuidar. Sei que nem todos estão “afim de” rever conceitos muito menos romper como vício do consumo sexual sem consistência afetiva mesmo que essa prática fria e impessoal lhes ponham deprimidos, apáticos, céticos e impotentes no amor, mas vale lembrar que os homens mesmo os muito durões não são feitos de isopor.
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Bom… Espero que, ainda que utópica, lhes tenha sido útil minha simplória reflexão sobre a impotência peniana. E concluo esta carta desejando aos senhores e seus familiares a saúde, a paz e o amor.
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Fraternamente,
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Símia Zen.
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Posted 5th November 2011 by Shâmtia Ayômide
Labels: Simia Zen Relacionamentos
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Fonte: Texto originalmente publicado no site Reflexões Masculinas – Revista Online sobre o Homem e a Masculinidade  – http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2011/11/sobre-impotencia-peniana.html
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Written by Símia Zen

18/04/2013 at 13:53

A mendicância masculina – Por Símia Zen.

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mendigos de la habanaSenhores,
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Creio que uma das piores sequelas da realidade brasileira e conjugada com a fraqueza do espirito humano é mendicância masculina, pois não é só por conta das misérias materiais geradas por consequência da colonização caótica e abolição da escravatura muito mal feita, e nem pela atual escassez de oportunidade de trabalho formal que se tem essa imensa população masculina esmolando pelas ruas dos grandes centros urbanos brasileiros, há também outros fatores de ordem emocional, biológica e espiritual que abatem os homens desta maneira medonha. Percebo o sofrimento desses homens, me sinto impotente diante desse horror, mas uma coisa eu posso fazer… Posso votar em um homem que criasse uma proposta viável pelo menos para minorar tanto sofrimento, e é nesta esperança escrevo este texto.
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Senhores, sei que o que escrevo aqui todos já estão carecas de saber, mas ainda assim me sinto compelida a continuar essa reflexão pois a mendicância não aparta apenas um homem da cidadania, ela aparta da saúde física, mental e espiritual, aparta da cultura, do conhecimento, da evolução em todos os sentidos e evidentemente aparta da família e do amor sexual feminino. Por que não é segredo para ninguém que nós mulheres temos critérios muito rígidos para a seleção de par por premissa biológica e primal da preservação da espécie, antes da cultural inclusive, por isso tais critérios primam pela capacidade de proteção acima de tudo e, por obvias razões, tais critérios não contemplam homens na mendicância, já que estes estão incapacitados às virtudes masculinas necessárias tanto a nível biológico quanto sociocultural, e obviamente nem para o amor descompromissado, nem para o amor consistente para formação de família e muito menos para a paternidade.
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Vem principalmente do instinto de seleção de genes e proteção da prole o fato de não existir para as mulheres príncipes encantados mendigos. Lembrando: O amor de fêmeas saudáveis pode até ser cego e sem interesses escusos, mas nunca a ponto de por em risco a segurança de suas crias. E mesmo as mulheres nefastas que se entregam ao seu lado obscuro com os interesses sortidos do ego e/ou desnaturadas que não visam o bem estar dos filhos e até os ameaçam, para ainda estas por seus motivos espúrios, não incluem também mendigos em suas vidas sexuais. Ou seja: Os homens que caem nesta tragédia ficam sós, e com isso ficam ainda menos motivados a se erguerem e se recuperarem do infortúnio. Se não forem ajudados vão de mal a pior vertiginosamente…, e se esse mal não se bastasse em si, os homens em tal situação ficam vulneráveis a demência e assim são usados em frias estatísticas para arrecadação de verbas para programas assistenciais inúteis, nesta dinâmica é quase impossível saírem da mendicância. Não sei como se resolve isso, não entendo nada de macro política social, mas creio que deve haver alguma solução sem ser o assistencialismo inútil de governantes hipócritas que além de não resolver nada ainda usam a miséria para se autopromover e lucrar corruptamente em cima da boa fé das pessoas que infelizmente acreditam neles…
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Na minha observação a distancia percebi que os mendigos vivem situações terríveis, são escorraçados das calçadas das lojas onde teriam marquises para lhes abrigar da chuva, e também quando se aproximam das pessoas para pedir esmolas ou atenção e calor humano. Por estarem tão arrasados assustam os passantes. Os homens não dão dinheiro aos mendigos a menos que sejam mulheres ou crianças, muitos partem da ideia que o mendigo é um homem que não quer trabalhar o que não é improvável no estado de doença física e mental em que estão. O contraditório é que os homens dão dinheiro a mulheres que não querem trabalhar mesmo que não sejam mendigas, e não se pode saber ao certo se estes homens desvalidos estão nas ruas porque não querem ou não tem condições e/ou oportunidade de trabalho. Realmente dar esmolas não resolve e pode viciar a pessoa nisso, porque o problema tem raízes muito maiores do que a pobreza material. E mulheres normalmente além de não dar esmolas fogem de qualquer tipo de comunicação com mendigos, também eu faço isso, porque sei que eles enlouquecem nesta vida, e estão sem satisfação do apetite sexual assim se molestam sexualmente transmitindo uns aos outras doenças fatais, daí fico com receio que me façam mal e, mesmo sentindo comiseração e remorso pelo abandono que cometo por autopreservação, fujo também.
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Creio que as vidas desses homens duram o tempo das doenças e desesperança os abater, por relatos já soube de alguns casos onde o desgosto amoroso por serem rejeitados ou traídos ou espoliados pelas mulheres que eles amavam os fizeram cair nas drogas e se suicidarem como cidadãos se jogando nas ruas como sacos de lixo nas calçadas imundas, e não duvido que esta não seja a tônica comum de suas vidas pregressas fora a pobreza de nascença, sendo órfãos de pais vivos ou drogados e filhos de mães adolescentes de igual indigência. São dos homens as virtudes da força e resiliência, mas nem todo homem pode vencer grandes adversidades, alguns são fracos diante de tanta desventura e sucumbem até tão baixo estado de vida… Creio que quando pensamos no bem estar e boa qualidade de vida dos homens não poderíamos esquecer-nos dos que se afundam nas drogas e na mendicância, pois estes mesmo que muito fracos também são homens.
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Hoje existem inúmeros atendimentos assistencialistas as mulheres desvalidas e muito poucas ficam a mercê das ruas como mendigas, ou por estarem sobre a guarda do estado em asilos a principio para idosas e doentes mentais e outros acolhimentos de instituições privadas ou religiosas. As ONGs especializadas em assistência as mulheres também abrangem um quinhão nisso, seja apenas por interesse de receber dinheiro livre de impostos, seja por ideal filantrópico de fato, seja como fachada para outros interesses tais como alavanca para dondocas ganharem mídia e/ou como trampolim para carreiristas na politica feminista, de qualquer forma não se vê tantas mulheres na mendicância como se vê homens, até porque a pobreza e desgostos amorosos femininos também são capitalizados pela indústria de prostituição em sua nefastidão, e não são raros os casos de prostitutas acolhidas como amasias pelos homens que as usam, daí as mulheres têm mais chances de não esmolarem pelas ruas.
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Bom… Concluo esperando ter sido algo útil na reflexão masculina que este site propicia, e sabendo do exemplo dos homens que caíram na miséria por amor, torço para que os homens de boa fé que se deixam levar por paixões insanas por nefastas com cara anjo fiquem mais espertos e nunca deixem seus cartões de credito acessíveis a elas, porque quem vê cara não vê coração…
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Cordialmente,
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Símia Zen.
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Posted 15th August 2011 by Abdall
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Fonte: Texto originalmente publicado no site Reflexões Masculinas – Revista Online sobre o Homem e a Masculinidade.
http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2011/08/mendicancia-masculina.html
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Written by Símia Zen

18/04/2013 at 13:45

Os presidiários precisam de uma chance de recuperação – Por Símia Zen.

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6a010535dc3e1e970c011572269f26970b-800wiSenhores,
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De muitas e muitas coisas que me comovem olhando a vida dos homens, como por exemplo, suas sagas, venturas, lutas e vitórias coletivas e individuais, eu também me compadeço dos destinos dos desgraçados desprovidos de virtudes e boa sorte como é o caso dos homens que por inúmeros motivos chegaram ao um ponto tão baixo e vil de seus lados obscuros que caíram na vida do crime. Não que eu os abone de seus erros e nem que desaprove o peso braço da justiça em puni-los, mas não posso evitar a tristeza que sinto ao ver tanta humilhação desses fracassos humanos nos noticiários na TV quando são caçados e presos, realmente não há como não ver a tragédia gargalhando na vida desses homens decaídos, e pensar que um dia foram crianças inocentes, tanto quanto os demais homens, com seus sonhos e sorrisos ingênuos…
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O estado de animalidade da vida dos criminosos em presídios só poderia ser adjetivado como o inferno… no seu mais puro sentido simbólico de nefastidão. Creio que se eles já não têm discernimento e amor a vida ainda soltos e num presidio são extirpados de toda humanidade que poderiam ainda ter em forma latente, ali é perdida qualquer possibilidade de retornarem ao bem se ser humano. Bom… Exceto por alguns poucos homens desventurados que por grande sorte e força interior conseguem regenerar sua humanidade mesmo neste reduto de horror e misérias inomináveis, alcançando assim a vitória da recuperação de seus destinos e ânimo interior. A estes arruinados que aprendem com seus erros, com seus infortúnios, com o sofrimentos e se corrigem, transformando-se em pessoas possíveis de conviver em sociedade é que dedico esta escrita.
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Sabemos de todo horror que acontece no dia a dia nos presídios brasileiros, sabemos de todas as torturas físicas, mentais e emocionais que estes homens degradados praticam uns aos outros, à revelia dos carcereiros, e assim passam todos os dias nas prisões brasileiras, dias que são anos, anos que são séculos, séculos de monstruosidade de ainda maior deformação e aniquilamento de suas almas derrotadas. Sabemos por que assistimos na TV, sentados em nossas poltronas na hora do jantar e, umas pessoas se horrorizam, umas se agradam de assistir ao castigo, umas se compadecem, umas não sentem nada…
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De fato o mal que estas vis criaturas causaram as pessoas de bem e podem voltar a causar, se tiverem oportunidade, não poderia mesmo ser perdoado, obviamente não defendo o mal e nem os maus, também como toda cidadã com um mínimo de senso de justiça concordo que todos os criminosos devam ser afastados de nosso convívio, nos ameaçam, são ruins, são predadores e perniciosos, mas… Creio que há coisas que devemos considerar dentro desse quadro de decadência humana e social, não para promover permissividade ao mau uso da liberdade e desrespeito as nossas leis e sim para sermos mais justos e humanos, e por efeito, para que minoremos tanta barbárie em nossa sociedade. Pela razão óbvia do amor a Vida, pela justiça não sou favorável a pena de morte e nem a ideia de presídios apenas punitivos, mas sim para a devida correção, porque dentro da população carcerária não há apenas criminosos vis e nefastos, ainda assim, vidas humanas, mas há também os que estão presos por erros de justiça…
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Há os homens que perderam sua dignidade por falta de alternativa, como é o caso do castigo sem investigação cuidadosa onde homens são sentenciados ao cárcere por engano de nomes homônimos e por testemunhos que cometem perjúrios e/ou por outras situações de prisão sem julgamentos decentes e até com jurados sob pressão de ameaças, ou de mendigos por furtos de comida ou agasalho, por exemplo. Por isso também que não se deve acreditar num sistema de punição por pena de morte, creio que mesmo que conseguíssemos organizar melhor nosso sistema judiciário e diminuir a corrupção no país, ainda assim, tais enganos poderiam ser cometidos e executaríamos inocentes. Ademais, a pena de morte não garante o fim do crime nem da existência de criminosos, pois se fosse assim, os países que executam a pena de morte há muito tempo não teriam mais índices de criminalidade tão alarmantes como os nossos.
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Acredito é num sistema carcerário de correção verdadeiramente, um que valesse a recuperação do criminoso e não a intensificação de seu mau caráter e fraqueza. Aliás, sob um sistema punitivo em prisões tão nefastas como temos no Brasil, é fácil piorar tais criaturas tornando autores de pequenos delitos em bestas humanas. O que não interessa a ninguém…
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Mas que fique claro que quando falo de criminosos passiveis de correção e recuperação, não estou falando de autores ou mandantes de crimes monstruosos como assassinato premeditado e estupro. Para estes, o afastamento perpétuo é o mais seguro para a sociedade em geral. Estou falando dos inúmeros casos onde o crime é contra o patrimônio ou por agressões a pessoas físicas sem grandes danos e ao pudor público, por exemplo.
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Senhores,  fiquei sabendo que em outros países o sistema penitenciário é privado e fiquei pensando entre minhas agulhas e bastidor, se aqui no Brasil se tem o costume de imitar um sem numero de coisas que nem tem a ver com nossas reais necessidades, porque não imitar essa boa solução no sistema carcerário e privatizarmos os todos os presídios também? Afinal, não tem graça nenhuma pagarmos impostos altíssimos para sustentarmos os gastos com os cárceres nacionais que não recuperam efetivamente os criminosos e até os pioram, sobretudo quando temos tantas outras coisas a investir para a boa qualidade de vida da população brasileira em plano geral.
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Creio que compradores de presídios é o que não iria faltar, considerando o fato de que presídios rendem muito lucro com tanta mão de obra disponível e seus proprietários poderiam até ficar isentos de impostos, pois não estaríamos ganhando, mas nem gastando verba de nossos cofres públicos. Claro que tais “negócios” teriam que ser bem supervisionados para não haver desrespeito aos direitos humanos, e creio que o gasto com a supervisão e monitoramento estatal para a recuperação dos criminosos poderia render mais benefícios que prejuízos a nós. Presídios que têm como meta o lucro também têm a produção e nada mais positivo que o trabalho honesto para começar um processo de reeducação de criminosos e assim experimentarem o estilo de vida do cidadão comum para conhecerem esta forma de dignificação de seu prato de comida, suas vestes, seu teto, seus estudos, seus advogados de defesa, sua correção e principalmente o sustento de sua prole.
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Creio que para um homem decaído, a chance de gerar recursos com trabalho honesto dentro da prisão com seu próprio suor do rosto, como acontece nos presídios privados, gera também um novo ânimo para sua própria evolução, já que lhe traria o bem de se sentir com mérito para ser chamado de ser humano uma outra vez na vida. Ninguém nasce criminoso, em alguma fase da vida tais criaturas foram humanas, mesmo que tenham sido apenas na mais tenra infância. Lembrando: O ócio improdutivo para o homem e para a mulher promove todo tipo de doença na alma, sobretudo àqueles que já são propensos a isso, daí não se pode esperar a correção de criminosos onde eles não estejam ocupados com o trabalho, esportes e estudos laicos e/ou religiosos.
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Bom… Concluindo esta carta peço os senhores que reflitam para si sobre a VIDA dos presidiários e que seus pensamentos se reflitam em suas ações pelas vias legais em que os bons homens podem minorar o caos social que nos oprime sem se tornarem criminosos também.
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Respeitosamente,
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Símia Zen.
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Posted 30th August 2011 by Abdall
Labels: Simia Zen Política e Filosofia
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Fonte: Texto originalmente publicado no site Reflexões Masculinas – Revista Online sobre o Homem e a Masculinidade  – http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2011/08/os-presidiarios-precisam-de-uma-chance.html
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Written by Símia Zen

18/04/2013 at 13:40

A Virtude Yang do homem brasileiro II – Por Símia Zen.

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yin-yangSenhores,
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Eu deveria explanar sobre uma imensa lista de heróis nacionais já renomados por seus feitos em nossa historia, feitos de coragem em guerras e outros acontecimentos políticos que mudaram nossas vidas, mas creio que os senhores já estão carecas de saber disso e muito mais do que eu, então lhes enfadaria com tanta obviedade, por isso adotei outra lista ainda não registrada que é a dos heróis anônimos que cotidianamente demonstram a capacidade de iniciativa, coragem, altruísmo e compaixão que se revelam no Brasil todos os dias como, por exemplo, nas temporadas das chuvas de verão no Rio.
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Os noticiários da TV não param de mostrar as catástrofes que veem ocorrendo na região serrana do Estado. Enchentes, desabamentos, enxurradas arrastando e enterrando casas com famílias inteiras dentro. Todo ano isso se repete, e todos os anos inúmeros homens voluntários dedicam-se ao salvamento e reconstituição da vida nestes locais. Infelizmente, é nessas horas que se vê mulheres reconhecerem nossa dependência natural ao ser masculino e a gratidão pelo macho ter a verdadeira vocação para a liderança. E depois de tanta depreciação à natureza yang deles, ainda assim eles perdoam e deixam tudo de lado e se dispõem à nossa proteção. Na hora do aperto é que vemos mulheres sem discurso feminista nenhum e aceitando a liderança do macho na boa, e assim que vemos o mulheril cooperando passivamente com os homens no enfrentamento da natureza. É na tragédia que a mulher reconhece de fato a dádiva que é existir o homem “machão” sobre a terra.
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Erguemos as mãos para o céu por não termos por aqui uma população de bananas do tipo que o feminismo tem como ideal de homem. Podem falar tudo de mau dos nossos conterrâneos, mas eles não ficam de pose politicamente correta feminista e se defecando paralisados diante do infortúnio. Eles, nos seus impulsos yang, não medem esforços para salvarem as vidas de mulheres, crianças e uns aos outros. Se vê que estão incansáveis nas buscas de sobreviventes e mortos, amparo amigo aos que perdem seus familiares e pertences. Muitos para proteger, perderam suas próprias vidas, o que acho uma temeridade e excesso. Muitos compartilham o pouco que tem como os demais. Creio que ninguém do mundo inteiro olhando essa catástrofe e a postura heróica de nossos homens neste enfrentamento, poderia questionar a macheza deles, ninguém poderia nos dizer olhando nos olhos que aqui não tem masculino pleno em seu valor yang, que aqui não tem o Homem de Verdade.
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Antes de eu concluir este escrito devo fazer um esclarecimento, pois na carta anterior utilizei a palavra “yang” para definir o tipo de virtude dos homens brasileiros, e por alguns comentários posteriores, vi que deixei a desejar quanto ao seu significado. Para que minha comunicação com os senhores não fique como na “Torre de Babel”, incluo informações sobre a palavra/conceito “yang”.
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Bom… A palavra “yang” faz parte de uma teoria oriental sobre as leis da natureza e do universo em geral,“TAO” (Caminho), o que mais se conhece sobre o TAO no ocidente é sua representação gráfica, o Tei-Gi, chamado popularmente de “yin-yang”, e que hoje é usada nefastamente no mercado da moda como enfeite para uma customização “New Age” desconexo de sua função didática.
O Tei-Gi é uma imagem ilustrativa que simboliza o “TAO”, ela serve para mostrar didaticamente a idéia da polaridade e equilíbrio da natureza – (tipo: o caminho para se chegar a perfeição). No Tei-Gi a força Yin e a força Yang estão interpenetradas, se complementando para formar assim o o TAO, representado pelo círculo, (forma perfeita, sem lados, nem começo nem fim – Unidade). O Yang em branco e o Yin em preto representando neste contraste extremo o caráter de Luz e Sombra e de pólos opostos destas forças. Os opostos se atraem para gerar a unidade e manter o universo assim, numa dinâmica de mutação eterna. O diagrama mostra a interdependência entre eles, e que no equilíbrio dinâmico da natureza o yin contém o yang e vice versa, o Yin dá origem ao Yang e o Yang dá origem ao Yin, quando o yin chega ao seu ponto máximo de força se verte yang e quando o yang chega ao seu ponto máximo de força se verte yin em eterna mutação. Estas polaridades giram uma em torno da outra numa simetria com interpenetração entre as partes e se complementam e assim, interagem e se integram, em movimento de mutação formam tudo, permeiam/compõem tudo que existe, são os protagonistas da dinâmica do universo e geradores de tudo que há nele quando unidos.
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A força Yang é associada ao princípio da expansão, dispersão, ativo, dinâmico, luminoso, quente, positivo, criativo e destrutivo, o masculino, a força Yin é associada ao princípio passivo, receptivo, obscuro, sombrio, frio, negativo, da retração, absorção, concentração, conservação, preservação, o feminino, não há hierarquia entre estas forças, elas são inversas, mas equivalentes, uma sem a outra fica sem efeito gerador (não completa o TAO – círculo – ciclos). As qualidades de ambas são interdependentes, só são virtudes na medida das virtudes da outra, tipo: duas faces da mesma moeda, por isso são os pólos opostos da mesma coisa.
Exemplo: não se pode considerar numa instalação elétrica, o pólo negativo e o positivo do fio como inferior e superior, nem um como sendo o bom e o outro como sendo mau, só são necessários para instalação elétrica ser eficaz e o abajur acender, e assim são as forças complementares características da natureza, que ambas estão em nós também, em graus diferentes entre o macho e a fêmea.
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Na fêmea que é yin, há um tanto de força yang e no macho que é yang, há um tanto do yin. Por esse equilíbrio é que funcionamos como feminino e masculino com saúde, pois nossos corpos são regulados e equipados para isso, mesmo que as culturas atuais desafinadas com a ordem natural neguem essa verdade e baseados nesse equivoco, imprimamos um estilo de vida como se fossemos iguais, ainda assim, a polaridade yin e yang é coisa imutável. O máximo que acontece quando essa premissa natural é desconsiderada em nosso estilo de vida é o homem ficar yin/feminino e a mulher yang/masculino, mas como nossos corpos são inaptos a essa inversão corremos o risco de pane (doença) em nosso organismo e psique em decorrência de tal distúrbio. Podemos até fazer uma construção social que inverta os papeis na dualidade yin e yang, mas nunca seremos iguais, sempre seremos um yin e outro yang.
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Bom… Concluo esta carta esperando que mesmo com a espiralada e palavrenta subjetividade yin me tenha feito entender aos honoráveis complementares yang.
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Saudações cordiais,
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Símia Zen.
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Texto anterior: A Virtude Yang do homem brasileiro I.
Posted 31st January 2011 by Shâmtia Ayômide
Labels: Masculinidade Simia Zen
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Fonte: Texto originalmente publicado no site Reflexões Masculinas – Revista Online sobre o Homem e a Masculinidade  – http://reflexoes-masculinas.blogspot.com.br/2011/01/virtude-yang-do-homem-brasileiro-ii.html

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Written by Símia Zen

18/04/2013 at 13:33